O novo papel das stylists no pop brasileiro

Durante décadas, o styling no Brasil obedeceu à tirania do editorial: a roupa precisava apenas “acontecer” na foto. O palco e o movimento eram secundários. Recentemente, essa lógica foi subvertida. O figurino deixou de ser adereço para se tornar o pilar central na estratégia de branding de grandes artistas. Não é mais sobre “montar looks”; é sobre construir universos.

Essa mudança reflete um movimento global. Lá fora, a simbiose entre Mel Ottenberg e Rihanna, ou o trabalho arquitetônico de Zerina Akers com Beyoncé, provou que o styling é direção criativa. No Brasil, nomes como Daniel Ueda — que redefiniu a estética pop nos anos 2000 — e a dupla Pedro Sales e Antonio Frajado pavimentaram esse caminho, conectando moda e música com uma consistência visual impressionante.

É neste cenário de alta exigência que a trajetória de Carol Goes ganha protagonismo.

Com uma formação híbrida que mistura Artes Cênicas e moda autoral, Carol Goes opera na intersecção entre figurino e direção de arte. Sua assinatura não busca apenas o impacto imediato, mas a tradução da identidade do artista em textura e forma. Ao colaborar com potências como Anitta, Marina Sena, Luísa Sonza e IZA, a stylist entende que a roupa precisa comunicar antes mesmo da música começar.

O desafio atual é técnico e semiótico. Em eras visuais complexas — como a estética visceral de “Escândalo Íntimo” de Luísa Sonza ou a projeção global da fase “Funk Generation” de Anitta —, o figurino precisa resistir ao close em 4K, à iluminação de LED dos grandes festivais e, crucialmente, ao recorte vertical das redes sociais. Carol Goes domina essa precisão: no palco, uma silhueta precisa sugerir vulnerabilidade ou poder instantaneamente.

A relevância de seu método foi confirmada internacionalmente com sua participação na equipe de uma campanha vencedora do Cannes Lions em 2023. O prêmio evidencia como stylists deixaram os bastidores operacionais para ocupar funções estruturais na comunicação. O trânsito fluído de Carol Goes entre a publicidade premiada e o show business reforça que a imagem hoje é um ativo de valor incalculável.

O pop brasileiro amadureceu e opera com uma consciência estética inédita. A roupa deixou de ser ornamento para se tornar discurso. E profissionais como Carol Goes são as narradoras visuais dessa nova era.

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